terça-feira, 8 de maio de 2018

 E também tem outra coisa: eu me sinto mais aliviado (quase) sempre que posto alguma coisa aqui, mas o único indivíduo que lê tais coisas é a Marcela. E as coisas que eu posto aqui, na maioria das vezes, são fragilidades e inseguranças. Dramas também. E eu não queria que ela lesse essas coisas porque eu não quero ser percebido como um sapiens fraco, frágil e inseguro.
 Eu não quero que ela olhe pra mim e pense: "ai caralho, mais um peso na minha vida". E como se não bastasse, ao me fazer ser percebido dessa forma, eu estou jogando no lixo a possibilidade de termos algo juntos no futuro. E eu - com motivos ou não - já joguei muita coisa fora.
 Pra piorar ainda mais a minha situação, vou resumir de maneira grosseira alguns estudos da Psicologia Evolutiva sobre a Seleção Sexual entre os Homo sapiens: é sabido que as mulheres* têm forte preferência por homens* altos (pelo menos mais do que elas), de ombros largos, que sejam auto confiantes (que tenham "atitude"), que tenham uma boa situação financeira, etc. (a lista continua, mas já o suficiente)... e adivinhem o porquê dessas preferências? Segurança. Ponto. Mulheres buscam por segurança. E eu não posso prover essa segurança porque eu não possuo nenhum dos aspectos que citei.

*: o que existe, na biologia, são Homo sapiens do sexo masculino (machos) e Homo sapiens do sexo feminino (fêmeas). A categoria "homem", por exemplo, varia de época e cultura: o salto alto foi originalmente criado para o uso masculino(!!!).

 Sendo ainda mais honesto do que fui aí em cima, eu não faço a MENOR ideia do motivo de eu estar escrevendo isso NESTE blog. Escrever aqui é basicamente a mesma coisa do que mandar pra ela no zap zap (lembram quando aparecia "escrevendo..." ao invés de "digitando..." no whatsapp?).
 Eu fiz algumas escolhas, e pior, deixei de fazer algumas outras, e como consequência eu acabei por cavar uma cova e enterrar muitas coisas importantes nela.
 Não satisfeito, por escrever essas coisas aqui, eu, provavelmente estou enterrando essas coisas importantes. E o pior de tudo é que eu não sei porquê estou fazendo isso. Não pode ser SÓ burrice, tem que ter algo a mais (hoje eu não lavei o alface do almoço direito, pode ser que seja um parasita).

  Por outro lado, eu só escrevo essas coisas dramáticas, só exponho essas fragilidades e inseguranças porque a Marcela é a única pessoa na qual eu confio e me sinto confortável o suficiente pra tal coisa. Sério. Sempre que algum amigo/conhecido me solta o clássico "Oi! Tudo bem?", passam pela cabeça todos os motivos pra responder a pergunta de forma negativa, mas eu não o faço. Eu não confio.
Eu gosto de ter ela como essa amiga que eu confio e me sinto confortável pra conversar sobre quase tudo - a amizade é a base de qualquer relacionamento duradouro e positivo. Mas por outro lado, se você leu até aqui, entendeu o porquê de eu não gostar de ter ela como essa amiga.

  Vou dormir. Todo dia é dia de tentar ser uma pessoa melhor do que ontem, e isso é muito trabalhoso...

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