Hoje, o gatinho que eu estava cuidando há mais ou menos uma semana morreu atropelado. Eu não vi, uma vizinha me contou. Tinha saído pela terceira vez atrás dele, com um pote de ração na mão, chamando ele com aquele barulhinho que a gente faz pra chamar gato... juro ter ouvido o miado dele. É sério. Enfim
Não pretendo falar muito sobre isso pois já chorei muito hoje. É que nessas horas a gente percebe o quão frágil somos.
E também percebemos a fragilidade das outras formas de vida.
Nunca vou esquecer a primeira vez que consegui fazer carinho nele. Foi um caminho, sabe? Quando ele apareceu aqui a primeira vez, não permitia a aproximação de ninguém que estivesse a menos de 10 metros dele. Vivia em baixo dos carros. Assustado, arisco. E com razão. Nossa espécie é abominável e repulsiva. É difícil não simpatizar com a misantropia.
Gatinho a quem eu nunca dei nome, saiba que sinto extrema gratidão, felicidade e tristeza - tudo ao mesmo tempo - por ter conseguido proporcionar algumas poucas horas de segurança, carinho e calor a sua breve estada neste Universo. Jamais serei capaz de esquecer os seus olhos me encarando enquanto o seu corpo ronronava e você fazia as suas coisas de filhote. Peço desculpas em nome da minha espécia e da nossa grotesca falta de empatia, bom senso e inteligência. Espero que você tenha gostado de comer a ração dos meus gatos (ela é bem cara) e dá água gelada e filtrada que eu colocava pra você. Sei que minhas lágrimas não serão o suficiente e que você jamais irá ler isso. Eu só quero expressar pro Universo o quão grato eu me sinto por ter sido capaz de ganhar a sua confiança e dar um pouquinho de conforto ao seu espírito. Desculpa, de novo.
Descanse.
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