terça-feira, 6 de outubro de 2020

sobre o dr. Cuca

sinto falta da paula.

pra ser sincero, a gente nunca chamava ela de paula. normalmente é assim com quem tem sobrenome diferente. quem não a conhecia e nos ouvia falar "tejano" se enganava ao imaginar que estávamos falando de um homem. não era homem. era a paula. Paula Tejano.

paula tinha um cabelo muito bonito. não era exatamente cacheado, mas também não era liso. vai ver era uma mistura dos dois, sei lá. não conheci a mãe pra saber se ela tinha cabelo liso, mas a julgar pela vó - a simpática Deide Costa - apostaria que sim. o pai tinha cabelo cacheado, e disso eu lembro bem.

sempre achei isso muito incomum, um pai ter cabelo cacheado. tirando quando o cabelo é liso, normalmente o pai - homem acima dos 35 - tem o cabelo mais curto. não dá trabalho pra cuidar, e pais de família têm coisas mais importantes pra se preocupar.

mas não o dr. cuca. o dr. cuca era exceção. o dr. tinha uma filha, três cachorros e um minucioso complexo de cachos na cabeça. os três cachorros eram vira-latas adoráveis. era uma graça ver a atenção que eles davam pra quem os chamavam pelos nomes. também me lembro disso. "Quico! Zinho! Branco!".

não lembro quem apelidou o dr. cuca, mas ainda me fascino com a engenhosidade dessa criação. não só "cuca" encaixava perfeitamente com a sua residência em neurocirurgia - especialmente quando acompanhado do "dr." -, como também servia de ponte para o seu outro apelido, reservado aos mais íntimos: beludo.

sem dúvidas foi um homem de muitas facetas. médico neurocirurgião no Hospital Simas Turbano, sócio da Mecânica Paulo Brificado's, e pai solteiro de um sapiens e três Lupus familiaris. pros chegados, dr. Cuca. pros íntimos, Cuca Beludo.

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